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O Alpendre da Calçada

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Um caroucho

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O presente foge num ápice, torna-se supérfluo 
no passado jaz a eternidade

Dormia um caroucho à sombra, sobre o mármore do edifício. 
Cá em baixo ao sol apresentam-se os apressados fumadores, tarefeiros, rotineiros que, à sua maneira, trocam a liberdade diurna pelo salário dos escritórios.
De pernas abertas e dobradas, 
assim se encontrava este meu cúmplice (em poucas linhas ficámos próximos).
Um dos pés descalço, a ponta do sapato debruça-se nos dedos, uma lata de cerveja por terminar esconde-se debaixo do joelho. 

Uma mão repostava-se pacificamente sobre o peito, 
a sua parceira, contorcida pela erosão da má vida, apoiava-se suavemente pelas pontas dos dedos junto da demais. 
Enquanto o sol bate sobre a algazarra de operários citadinos suando pela avenida acima,

A cara adormecida reclinava-se sobre a mochila, a expressão transpirava calma, surreal e no entanto tão natural, 
enquanto um sorriso escapava pelo canto do lábio. 

Que paz vive o mármore agradecido a ti.

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Um caroucho

Por Frederico Lubomirski
Ilustração: Benedita Meireles
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Um caroucho

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Por Francisco S. Barros
Ilustração: Benedita Meireles

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Nessa chama

 

Pairam os teus olhos,

Fixos no presente, ternura brilhante 

 

O teu cabelo,

Ondulado pelo riso e choro de uma navegante

 

O teu nariz, 

Elegância principesca e austera

 

Os teus dedos,

A tua fragilidade sincera 

 

Com isto tudo, ainda ousas adornar-te com humor de gatilho rápido e curiosidade inata? Que tamanha arrogância...

 

Sim,

Eu sei que a chama queima

Que estrabucha e teima 

Pois os olhos também cerram

O nariz entope e o cabelo frisa

 

Mas querer a chama pela metade

Seria birra de pura infantilidade 

 

O meu olhar não a larga,

Quero-a e jamais a direi minha 

 

Por isso peço-te, sem mais demoras ou rodeios,

 

Incendeia-me o coração

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O presente foge num ápice, torna-se supérfluo 
no passado jaz a eternidade

Dormia um caroucho à sombra, sobre o mármore do edifício. 
Cá em baixo ao sol apresentam-se os apressados fumadores, tarefeiros, rotineiros que, à sua maneira, trocam a liberdade diurna pelo salário dos escritórios.
De pernas abertas e dobradas, 
assim se encontrava este meu cúmplice (em poucas linhas ficámos próximos).
Um dos pés descalço, a ponta do sapato debruça-se nos dedos, uma lata de cerveja por terminar esconde-se debaixo do joelho. 

Uma mão repostava-se pacificamente sobre o peito, 
a sua parceira, contorcida pela erosão da má vida, apoiava-se suavemente pelas pontas dos dedos junto da demais. 
Enquanto o sol bate sobre a algazarra de operários citadinos suando pela avenida acima,

A cara adormecida reclinava-se sobre a mochila, a expressão transpirava calma, surreal e no entanto tão natural, 
enquanto um sorriso escapava pelo canto do lábio. 

Que paz vive o mármore agradecido a ti.

Por Francisco S. Barros
Ilustração: Benedita Meireles

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Por Francisco S. Barros
Ilustração: Benedita Meireles

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Por Francisco S. Barros

Ilustração: Benedita Meireles

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